A história do Natal é repleta de situações absolutamente nova no universo das experiências humanas. Novas porque nunca antes nada igual havia acontecido. Os fatos são completamente inusitados e cheios de surpresas. A encarnação de Deus na história dos homens é caracterizado por mistérios e segredos confiados a algumas pessoas, cujo coração souberam receber a visita do Senhor.
Quando olho para personagens como Izabel e Zacarias, Maria e José, os reis magos e os pastores, protagonistas na história da salvação, fico pensando se minhas reações seriam semelhantes à daquelas pessoas. A resposta mais provável, acredito, é que sim. Pois, minha jornada de fé sempre foi bastante curiosa, eclética, envolta em mistérios e visitas de anjos.
A pergunta que chega diante dos textos bíblicos que narram o nascimento de Cristo é: qual a virtude espiritual necessária para compreendermos e aceitamos os mistérios de Deus e sermos agentes de sua história de salvação? Penso que a resposta a esta pergunta encontra-se numa palavra que aparece várias vezes na narrativa bíblica: Temor!
Foi isso que aconteceu no primeiro Natal. Maria, ao receber a visita do anjo do Senhor, ficou perturbada e confusa. Mas o anjo lhe disse que não temesse porque foi tida como “agraciada” aos olhos de Deus. Ao ouvir com detalhes aquilo que o anjo tinha para lhe dizer, Maria respondeu: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra”.
Esta é a resposta que nasce do amor, da reverência, do respeito e da confiança. A postura de Maria diante dos propósitos do Altíssimo revelou a seriedade com que Maria tratou os segredos que lhe foram confiados. Foi por causa dessa resposta que Deus a escolheu para ser a bem aventura mãe de Nosso Senhor.
Para sermos agentes da história da Salvação, precisamos aprender a cultivar o temor para com o Senhor. Precisamos reconhecer que Deus é o Todo Poderoso e nós, pecadores, à merce da bondade e do perdão divino. E Deus, em sua infinita misericórdia, nos salvou da condenação eterna e nos regenerou para uma vida em Cristo Jesus, e nos convidou para gozar de sua intimidade , de partilhar de seus segredos – e sermos agentes na história da redenção.
Uma história que Deus constrói com aqueles que, com temor e tremor, reconhecem sua inadequação e pecado e aproximam-se dEle com respeito e reverência. A estes, Deus torna-se íntimo e revela-lhes seus segredos e alianças.
“Não Temas!” Esta foi a expressão mais comum nos dias do primeiro Natal. O temor, de um lado, levou os protagonistas desta história a se curvarem diante do inusitado, do incomum; a não tratarem com descaso, frieza e descrença a visita do Senhor; a não tentarem manipular, racionalizar ou espiritualizar a manifestação do Todo Poderoso.
Por outro lado, Deus olha para o nosso assombro, preocupação e medo, se aproxima e diz: “Não temas, Sou Eu, é meu anjo, é minha promessa!”
O temor – não o medo -, nos leva a aquietar o nosso coração, a acolher a promessa, a esperar a salvação e a nos entregarmos ao serviço e propósitos de Deus.
QUE A PAZ ESTEJA COM TODOS VÓS NESTE NATAL E NA VIRADA DO ANO.
GLÓRIA SEJAM DADAS À DIVINA TRINDADE:
PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO
AMEM! ADONAI! SHALOM! NAMASTÊ!
MENDONÇA, Silvia - Mural dos Escritores - 17/12/2010
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